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CDI no coração: o que é, tipos e diferença para o marcapasso

CDI é a sigla de cardioversor-desfibrilador implantável: um pequeno aparelho colocado sob a pele que vigia o ritmo do coração 24 horas por dia e trata arritmias graves para prevenir a morte súbita. Entenda os tipos, a diferença para o marcapasso, o que fazer depois de um choque e como é a telemetria.

CDI no coração (cardioversor-desfibrilador implantável) Resumo do Artigo: CDI é um pequeno aparelho implantado sob a pele que vigia o ritmo do coração o tempo todo e, diante de uma arritmia grave, a interrompe com estímulos rápidos ou com um choque. Ele serve para prevenir a morte súbita. O CDI transvenoso também funciona como marcapasso, mas o marcapasso comum não dá choque.

Quando o cardiologista fala em "colocar um CDI", é comum a família sair da consulta com perguntas. O que significa a sigla? É a mesma coisa que marcapasso? E se ele der um choque? Como é o acompanhamento depois?

Este artigo responde a essas dúvidas e fala só do CDI: o que é, quem precisa, os tipos, a diferença para o marcapasso, o que fazer depois de um choque, como é a telemetria e a troca do gerador. Para o panorama de todos os aparelhos (marcapasso, ressincronizador e monitor de eventos), o passo a passo do implante e os cuidados do dia a dia, veja o nosso guia de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis.

1. O QUE É CDI NO CORAÇÃO E PARA QUE SERVE?

CDI é a sigla de cardioversor-desfibrilador implantável, também chamado de cardiodesfibrilador ou desfibrilador implantável. É um aparelho pequeno, colocado sob a pele, ligado a um ou mais fios finos (os cabos-eletrodos), que serve para prevenir a morte súbita causada por arritmias graves.

Na cardiologia, CDI é o nome desse aparelho. Ele faz três coisas:

  • Vigia cada batimento, 24 horas por dia.
  • Reconhece arritmias rápidas e perigosas que nascem nos ventrículos, as câmaras de baixo do coração: a taquicardia ventricular e a fibrilação ventricular. Nessas arritmias, o coração bate tão rápido ou de forma tão desorganizada que deixa de bombear sangue, o que pode levar à parada cardíaca em poucos minutos.
  • Trata a arritmia na hora, com estímulos rápidos ou com um choque que devolve o ritmo normal ao coração (seção 5).

O CDI transvenoso, o mais usado, também funciona como marcapasso: se o coração bater devagar demais, ele envia estímulos para manter o ritmo adequado.

O CDI não trata a doença que causa a arritmia. Ele funciona como uma proteção permanente, enquanto o cardiologista cuida da causa com remédios e outros tratamentos.

2. QUEM PRECISA DE UM CDI?

O CDI é indicado para quem tem alto risco de morte súbita por arritmia ventricular. As diretrizes brasileira e internacionais dividem as indicações em dois grupos [1, 2, 3]:

  • Prevenção secundária: pessoas que já tiveram uma parada cardíaca por fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular e foram reanimadas, ou que tiveram uma taquicardia ventricular sustentada sem causa reversível. Nesses casos, o risco de o problema voltar é alto.
  • Prevenção primária: pessoas que ainda não tiveram a arritmia, mas têm risco elevado. O exemplo mais comum é a insuficiência cardíaca com o coração muito enfraquecido, com fração de ejeção (a força de bombeamento medida no ecocardiograma) de 35% ou menos, mesmo depois de pelo menos três meses de tratamento otimizado [2, 3]. Algumas doenças hereditárias, como a cardiomiopatia hipertrófica, a cardiomiopatia arritmogênica, a síndrome do QT longo e a síndrome de Brugada, também podem levar à indicação em casos selecionados.

A indicação depende de avaliação individual. Ela leva em conta o tipo de doença, os exames (ecocardiograma, Holter, ressonância e, às vezes, estudo eletrofisiológico) e o momento de vida de cada paciente. Se a indicação ainda gera incerteza, nosso artigo sobre quando buscar uma segunda opinião pode ajudar.

3. QUAIS SÃO OS TIPOS DE CDI?

Os tipos de CDI se diferenciam pelo número de cabos e por onde eles ficam: dentro do coração (transvenosos) ou fora dele (subcutâneo). Na Cardio Assist, implantamos os quatro tipos abaixo.

CDI transvenoso unicameral

  • Um único cabo-eletrodo, levado pela veia até o ventrículo direito.
  • Indicado para quem precisa da proteção contra arritmias graves e não precisa de estimulação no átrio.

CDI transvenoso bicameral (dupla câmara)

  • Dois cabos-eletrodos: um no átrio direito e outro no ventrículo direito.
  • Indicado para quem, além da proteção do CDI, também precisa de marcapasso nas duas câmaras.

Ressincronizador com desfibrilador (CRT-D)

  • Reúne o CDI e o ressincronizador, com um cabo a mais que estimula o ventrículo esquerdo por uma veia do próprio coração.
  • Indicado para pacientes selecionados com insuficiência cardíaca e atraso na condução elétrica entre os ventrículos: os dois lados do coração voltam a se contrair juntos, e o aparelho mantém a proteção contra arritmias graves [6].
CDI transvenoso com cabo-eletrodo
Imagem: Biotronik, uso autorizado.

CDI subcutâneo (S-ICD): uma tecnologia mais recente

  • O gerador fica sob a pele, na lateral do tórax, e o cabo-eletrodo corre sob a pele ao lado do osso do peito. Nada fica dentro do coração nem dos vasos.
  • Por isso, reduz os riscos de infecção dentro dos vasos e de lesão de veias e válvulas.
  • Tem uma limitação importante: não faz estimulação de marcapasso permanente nem ATP. Não serve, portanto, para quem também precisa de marcapasso.
  • A equipe da Cardio Assist já realiza o implante do CDI subcutâneo.

Qual tipo é o mais adequado depende de avaliação individual.

4. CDI E MARCAPASSO SÃO A MESMA COISA? QUAL A DIFERENÇA?

Não. O marcapasso corrige o coração que bate devagar demais. O CDI trata as arritmias rápidas e graves, inclusive com choque, e o CDI transvenoso também faz o papel de marcapasso. O marcapasso comum não dá choque.

A confusão é compreensível: o CDI transvenoso e o marcapasso são implantados no mesmo lugar, abaixo da clavícula, pela mesma técnica, e por fora parecem parecidos. O CDI costuma ser um pouco maior, porque guarda a energia do choque.

Um marcapasso e um CDI lado a lado, cada um na palma de uma mão
À esquerda, um marcapasso; à direita, um CDI.
Deslize para o lado para ver a tabela completa
Critério Marcapasso CDI (cardioversor-desfibrilador implantável)
Problema que trata Coração lento (bradicardia, bloqueios) Arritmias ventriculares rápidas e graves
Objetivo principal Manter a frequência cardíaca adequada Prevenir a morte súbita
Como age Estímulos elétricos fracos, que o paciente não sente Estímulos rápidos (ATP) e, se preciso, choque
Dá choque? Não Sim, quando detecta uma arritmia grave
Funciona como marcapasso? Sim Sim no transvenoso; não no subcutâneo
Tempo médio de implante 45 a 60 minutos 60 a 90 minutos (transvenoso)
Duração estimada da bateria 8 a 15 anos, conforme o tipo 5 a 9 anos (transvenoso)

Os tempos e a duração da bateria são médias e variam conforme o modelo, a programação e o quanto o coração depende do aparelho. Os passos do implante estão no guia de dispositivos. Ele é feito de forma minimamente invasiva, com anestesia local e sedação, sem abrir o osso do peito.

5. COMO O CDI TRATA UMA ARRITMIA? COMO É O CHOQUE?

Quando reconhece uma arritmia grave, o CDI age em etapas, conforme a programação feita para cada paciente:

  • Estimulação antitaquicardia (ATP): uma sequência de estímulos rápidos e fracos que muitas vezes interrompe a taquicardia ventricular sem choque. Costuma não ser percebida ou é sentida como uma batedeira breve.
  • Choque (cardioversão ou desfibrilação): se a ATP não resolver, ou se a arritmia for a fibrilação ventricular, o CDI libera um choque interno que devolve o ritmo normal ao coração.

O choque é sentido como uma pancada forte e rápida no peito, que dura um instante. Ele assusta, mas significa que o aparelho reconheceu uma arritmia e agiu.

O CDI não dispara com abraço, aperto de mão ou contato físico. Ele age quando reconhece uma arritmia no coração do próprio paciente.

6. O QUE FAZER SE O CDI DER UM CHOQUE?

O que fazer depende de quantos choques foram e de como a pessoa fica depois:

  • Um choque isolado, e a pessoa se sente bem: sente-se, descanse e anote a data, a hora e o que estava fazendo. Avise a nossa equipe pelo WhatsApp da concierge, (67) 2180-0578, no horário de atendimento, para agendar a telemetria. Fora do horário, se surgir qualquer sintoma, procure o pronto-socorro.
  • Dois ou mais choques em sequência, ou um choque seguido de dor no peito, falta de ar, desmaio ou confusão: procure o pronto-socorro imediatamente ou chame o SAMU (192).

Depois de qualquer choque, fazemos uma telemetria extra: lemos o que o aparelho registrou, confirmamos se o choque foi necessário e, se preciso, ajustamos a programação. Às vezes o CDI dá um choque sem necessidade (terapia inapropriada), e a telemetria é o exame que mostra isso.

7. COMO É A TELEMETRIA DO CDI NA CARDIO ASSIST?

A telemetria é a consulta em que o CDI é lido e testado por um programador, sem nenhum corte. Na Cardio Assist, ela é conduzida pelo Dr. Evandro C. R. Lopes, cirurgião cardiovascular com área de atuação em Estimulação Cardíaca Eletrônica Implantável (RQE 7740). Nossa equipe acompanha pacientes com dispositivos há mais de 20 anos.

Como funciona:

  • A cada 4 meses, você vem à nossa clínica, no Santa Fé, em Campo Grande (MS), para uma avaliação completa: testamos os cabos, medimos a bateria e verificamos as arritmias e as terapias do CDI (ATP e choques).
  • Depois de um choque, fazemos uma telemetria extra (seção 6).
  • Ajustamos a programação quando necessário e entregamos um relatório detalhado para o seu cardiologista, que ajuda a ajustar os remédios.
  • Temos programadores das marcas Medtronic, Abbott, Boston Scientific e Biotronik.
  • Atendemos também pacientes com CDI implantado em outro serviço.

Monitoramento remoto, para quem mora longe ou tem dificuldade de se deslocar:

  • Você adquire um equipamento que fica perto da cabeceira da cama e faz uma assinatura mensal para que possamos acompanhar o seu CDI à distância.
  • O aparelho transmite os dados automaticamente, todos os dias ou toda semana, para uma plataforma segura pela internet.
  • A equipe recebe alertas sobre bateria em nível crítico, problemas nos cabos, arritmias detectadas, terapias do CDI (choques e ATP) e, nos aparelhos com esse sensor, sinais de congestão nos pulmões.
  • Em estudos com pacientes com insuficiência cardíaca e CDI, o monitoramento remoto se associou a menos eventos graves [4].
  • As sociedades internacionais de arritmia recomendam o monitoramento remoto como parte do seguimento de quem tem CDI [5].

8. QUANTO TEMPO DURA A BATERIA DO CDI E COMO É A TROCA DO GERADOR?

A bateria do CDI transvenoso dura, em média, de 5 a 9 anos. A do CDI subcutâneo, de 7 a 12 anos, e a do ressincronizador com desfibrilador (CRT-D), de 5 a 8 anos. A duração varia conforme a programação, o número de choques e ATP e as funções extras ativadas, como o sensor de congestão pulmonar.

Como saber que chegou a hora da troca: nas consultas ou pela transmissão remota, o aparelho emite o alerta de troca eletiva (ERI, do inglês elective replacement indicator) quando a bateria cai abaixo de um limite seguro. É o momento de planejar a troca com calma. Depois do alerta, o tempo restante varia de 3 meses a 1 ano, conforme o fabricante e o modelo.

Troca do gerador:

  • É mais simples que o primeiro implante: com anestesia local e sedação, a loja (o espaço sob a pele onde fica o aparelho) é reaberta e o gerador antigo é substituído por um novo.
  • Os cabos são testados e, se estiverem funcionando, são mantidos.
  • Dura de 40 a 60 minutos, e a maioria dos pacientes operados pela equipe da Cardio Assist recebe alta no mesmo dia, seguindo os protocolos de cuidado antes, durante e depois do procedimento.

Quando um cabo-eletrodo precisa ser trocado ou retirado, o procedimento é outro, explicado no guia de dispositivos.

Se você recebeu indicação de CDI ou já tem um e precisa de telemetria, inclusive se o implante foi feito em outro serviço, agende uma consulta com o Dr. Evandro C. R. Lopes na Cardio Assist para avaliarmos o seu caso. Fale com a nossa concierge pelo WhatsApp (67) 2180-0578.

9. PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE CDI (FAQ)

Q: O que significa CDI na cardiologia?

A: CDI significa cardioversor-desfibrilador implantável. É um aparelho colocado sob a pele que vigia o ritmo do coração e trata arritmias graves com estímulos ou choque, para prevenir a morte súbita.

Q: CDI e marcapasso são a mesma coisa?

A: Não. O marcapasso corrige o coração que bate devagar demais. O CDI trata as arritmias rápidas e graves, inclusive com choque. O CDI transvenoso também funciona como marcapasso; o marcapasso comum não dá choque.

Q: Colocar CDI no coração é cirurgia?

A: É um procedimento minimamente invasivo, feito em geral com anestesia local e sedação, sem abrir o osso do peito. O CDI transvenoso é colocado por um corte de 3 a 5 cm abaixo da clavícula, e a maioria dos nossos pacientes recebe alta no mesmo dia.

Q: O que é o CDI subcutâneo?

A: É um CDI em que o gerador e o cabo ficam sob a pele, sem nada dentro do coração ou dos vasos. Ele não faz estimulação de marcapasso permanente, por isso não serve para quem também precisa de marcapasso. A equipe da Cardio Assist já realiza esse implante.

Q: O choque do CDI dói?

A: O choque é sentido como uma pancada forte e rápida no peito, que dura um instante. A estimulação antitaquicardia, que muitas vezes resolve a arritmia sem choque, costuma não ser percebida.

Q: O que fazer depois de um choque do CDI?

A: Com um choque isolado e a pessoa bem, descanse e avise a equipe para fazer a telemetria. Com dois ou mais choques, ou com dor no peito, falta de ar, desmaio ou confusão, procure o pronto-socorro ou chame o SAMU (192).

Q: O CDI dispara com um abraço ou contato físico?

A: Não. O contato com outra pessoa não aciona o aparelho; ele age quando reconhece uma arritmia no coração do próprio paciente.

Q: Quanto tempo dura a bateria do CDI?

A: Em média, de 5 a 9 anos no CDI transvenoso e de 7 a 12 anos no subcutâneo. Quando a bateria se aproxima do fim, o aparelho emite um alerta na telemetria, e a troca do gerador é planejada com antecedência.

Q: Com que frequência preciso fazer a telemetria do CDI?

A: A cada 4 a 6 meses, e também depois de qualquer choque. Com o monitoramento remoto, o aparelho envia os dados automaticamente entre as consultas.

Q: Meu CDI foi implantado em outro serviço. Posso fazer a telemetria na Cardio Assist?

A: Sim. Atendemos pacientes com CDI implantado em outros serviços e temos programadores das marcas Medtronic, Abbott, Boston Scientific e Biotronik.

10. REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  1. Teixeira RA, Fagundes AA, Baggio Junior JM, et al. Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis – 2023. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2023;120(1):e20220892. Disponível em: https://doi.org/10.36660/abc.20220892
  2. Zeppenfeld K, Tfelt-Hansen J, de Riva M, et al. 2022 ESC Guidelines for the management of patients with ventricular arrhythmias and the prevention of sudden cardiac death. European Heart Journal. 2022;43(40):3997-4126. Disponível em: https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehac262
  3. Al-Khatib SM, Stevenson WG, Ackerman MJ, et al. 2017 AHA/ACC/HRS Guideline for Management of Patients With Ventricular Arrhythmias and the Prevention of Sudden Cardiac Death. Circulation. 2018;138(13):e272-e391. Disponível em: https://doi.org/10.1161/CIR.0000000000000549
  4. Hindricks G, Taborsky M, Glikson M, et al. Implant-based multiparameter telemonitoring of patients with heart failure (IN-TIME): a randomised controlled trial. The Lancet. 2014;384(9943):583-590. Disponível em: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(14)61176-4
  5. Ferrick AM, Raj SR, Deneke T, et al. 2023 HRS/EHRA/APHRS/LAHRS expert consensus statement on practical management of the remote device clinic. Heart Rhythm. 2023;20(9):e92-e144. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.hrthm.2023.03.1525
  6. Glikson M, Nielsen JC, Kronborg MB, et al. 2021 ESC Guidelines on cardiac pacing and cardiac resynchronization therapy. European Heart Journal. 2021;42(35):3427-3520. Disponível em: https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehab364
Autoria e Revisão Médica Cirurgião Cardiovascular e área de atuação em Estimulação Cardíaca Eletrônica Implantável CRM 3947/MS • RQE 2916 e 7740