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Doença da válvula do coração tem cura? Tratamentos para valvulopatia

O que muda na doença da válvula do coração (valvulopatia) depende do tipo e do grau da alteração: quadros leves costumam pedir apenas acompanhamento, e lesões importantes são corrigidas com reparo (plastia) ou troca da válvula, mantendo seguimento cardiológico.

Valvulopatia (doença das válvulas do coração) Resumo do Artigo: O que muda na doença da válvula do coração (valvulopatia) depende do tipo e do grau da alteração: quadros leves costumam pedir apenas acompanhamento, e lesões importantes são corrigidas com reparo (plastia) ou troca da válvula. Remédios aliviam os sintomas e protegem o coração, mas não desfazem o defeito físico de uma válvula que estreitou ou passou a vazar. Mesmo depois de reparar ou substituir a válvula, o acompanhamento cardiológico continua ao longo da vida, e a indicação de cada tratamento depende de avaliação individual.

Ouvir que há um "sopro" ou ler a palavra "valvulopatia" no laudo do ecocardiograma costuma despertar duas dúvidas imediatas no paciente e na família: isso é grave? Tem cura?

Na medicina, a alteração de qualquer uma das quatro válvulas cardíacas é chamada de valvulopatia ou valvopatia, termo adotado pelas diretrizes brasileiras de cardiologia [1]. Receber esse diagnóstico não significa, por si só, que você precisará operar o coração logo em seguida. Muitas alterações discretas permanecem estáveis por anos apenas com acompanhamento médico, enquanto quadros mais avançados contam hoje com cirurgias de reparo (plastia), substituição valvar e procedimentos por cateter.

Neste artigo, explicamos o que significa ter um problema na válvula do coração, como o cardiologista diferencia os graus leve, moderado e grave e o que cada tratamento realmente resolve. Para entender o passo a passo de uma válvula específica e como o reparo ou a troca é feito por vídeo, veja também o nosso guia sobre válvula mitral: o que é, quando dá problema e cirurgia por vídeo.

1. PROBLEMA NA VÁLVULA DO CORAÇÃO TEM CURA?

Mais preciso do que falar em uma cura única para toda valvulopatia é entender o que cada etapa do tratamento corrige: os medicamentos controlam os sintomas e protegem o músculo cardíaco, enquanto a cirurgia ou o procedimento por cateter resolve o defeito mecânico da válvula quando ela passa a sobrecarregar o coração [1, 2, 3].

Na prática, o caminho depende do estágio da alteração:

  • Alterações leves (discretas): pequenos vazamentos ou espessamentos discretos nos folhetos são frequentes nos exames de rotina. Na maioria das pessoas, não causam sintomas e não exigem remédios nem cirurgia — apenas consultas e ecocardiogramas periódicos para confirmar que o quadro continua estável [1, 3].
  • Uso de medicamentos: diuréticos, vasodilatadores, betabloqueadores e anticoagulantes ajudam o coração a trabalhar melhor, reduzem o acúmulo de líquido nos pulmões e controlam arritmias. Porém, nenhum medicamento consegue reabrir uma válvula endurecida pelo cálcio ou prender de volta uma corda rompida [1, 3].
  • Correção física da válvula (plastia ou troca): quando o estreitamento ou o vazamento chega a um grau importante, consertar a própria válvula (plastia valvar) ou substituí-la por uma prótese (troca valvar) devolve a passagem adequada do sangue e interrompe a sobrecarga sobre o coração [1, 2, 3].

Mesmo após um reparo bem-sucedido ou o implante de uma prótese, o cuidado não termina na alta hospitalar: o paciente segue em acompanhamento regular com o cardiologista para monitorar a válvula reparada ou a prótese ao longo dos anos [2, 3]. A indicação de acompanhar, medicar ou operar depende sempre de avaliação individual.

2. O QUE É VALVULOPATIA (OU VALVOPATIA) E QUAIS SÃO AS QUATRO VÁLVULAS DO CORAÇÃO?

Valvulopatia (ou valvopatia) é qualquer condição que prejudica a abertura ou o fechamento de uma ou mais das quatro válvulas do coração [1]. As válvulas, chamadas de valvas na nomenclatura anatômica, funcionam como portas de sentido único que se abrem e se fecham a cada batimento para o sangue circular na direção certa.

As quatro válvulas cardíacas são:

  • Válvula mitral (valva mitral): fica entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo, controlando a chegada do sangue rico em oxigênio que vem dos pulmões.
  • Válvula aórtica (valva aórtica): fica na saída do ventrículo esquerdo para a artéria aorta, por onde o sangue é bombeado para todo o corpo.
  • Válvula tricúspide (valva tricúspide): separa o átrio direito do ventrículo direito.
  • Válvula pulmonar (valva pulmonar): fica na saída do ventrículo direito em direção às artérias pulmonares.
Base dos ventrículos sem os átrios mostrando as quatro valvas do coração
Base dos ventrículos mostrando as válvulas (valvas) pulmonar, aórtica, mitral (Bicuspid valve) e tricúspide. Ilustração: Gray's Anatomy (1918), domínio público.

Na prática clínica do adulto, as alterações que mais exigem tratamento cirúrgico ou por cateter envolvem o lado esquerdo do coração (a válvula aórtica e a válvula mitral), porque esse lado trabalha sob pressão mais alta para enviar sangue ao organismo inteiro [1, 2, 3].

Independentemente de qual válvula seja afetada, o defeito mecânico se apresenta de duas formas (que podem acontecer isoladas ou juntas na mesma válvula):

  • Estenose valvar (válvula estreitada ou "apertada"): os folhetos (as "portinhas" da válvula) ficam espessos, rígidos ou calcificados e não abrem por completo. O coração precisa fazer mais força para impulsionar o sangue por uma passagem reduzida [1, 3].
  • Insuficiência ou regurgitação valvar (válvula com vazamento ou refluxo): os folhetos não se encostam direito ao fechar e parte do sangue volta para trás a cada batimento, fazendo o coração bombear um volume maior de sangue repetidas vezes [1, 3].

Entre as causas mais comuns no Brasil estão:

  • Degeneração e calcificação ligadas à idade: com o passar das décadas, os folhetos podem acumular cálcio (como na estenose aórtica calcífica do idoso) ou ficar alongados e frouxos (como na doença degenerativa e no prolapso da válvula mitral) [1, 2, 3].
  • Sequela de febre reumática: uma reação inflamatória após infecção de garganta na infância ou adolescência que, anos depois, deixa as válvulas espessadas e retraídas. No Brasil e na nossa região Centro-Oeste, a cardiopatia reumática ainda é uma causa relevante de valvulopatia em adultos jovens e de meia-idade [1, 4].
  • Alterações congênitas (de nascença): a mais frequente é a válvula aórtica bicúspide, em que a pessoa nasce com duas cúspides (folhetos) na válvula aórtica em vez de três, o que pode acelerar o desgaste da válvula na vida adulta [1, 3].
  • Dilatação do coração (valvulopatia funcional ou secundária): os folhetos da válvula são normais, mas o crescimento do ventrículo ou do átrio (após um infarto, miocardiopatia ou fibrilação atrial) afasta as bordas da válvula e provoca vazamento [1, 2].

3. PROBLEMA NA VÁLVULA DO CORAÇÃO É GRAVE? O QUE SIGNIFICAM OS GRAUS LEVE, MODERADO E IMPORTANTE?

Nem todo problema na válvula do coração é grave. A gravidade depende de três coisas: do grau da alteração no ecocardiograma, classificado como leve (discreto), moderado ou grave (importante ou acentuado); da presença de sintomas; e de como o músculo cardíaco está reagindo à sobrecarga [1, 3].

Ao ler um laudo de ecocardiograma, vale distinguir três cenários:

  • Refluxo mínimo ou insuficiência leve (discreta): um pequeno escape de sangue nas válvulas mitral, tricúspide ou pulmonar é achado comum mesmo em pessoas saudáveis. Quando os folhetos são normais e o coração tem tamanho e força preservados, costuma pedir apenas orientação e acompanhamento periódico [1, 3].
  • Valvulopatia moderada: o estreitamento ou o vazamento é intermediário. Em geral ainda não tem indicação de cirurgia isolada, mas pede consultas e ecocardiogramas regulares (costumeiramente a cada 1 a 2 anos, conforme a válvula e a orientação médica) para vigiar a evolução [2, 3].
  • Valvulopatia importante (grave ou acentuada): o defeito mecânico já é grande. A intervenção passa a ser avaliada quando surgem sintomas ou quando os exames mostram que o coração está começando a dilatar, a perder força de contração (queda na fração de ejeção), a desenvolver arritmias ou a aumentar a pressão nos pulmões [1, 2, 3].

Os sinais que merecem avaliação cardiológica sem demora incluem:

  • Falta de ar (dispneia) ao caminhar, subir escadas ou ao deitar reto na cama.
  • Cansaço desproporcional em atividades que antes eram fáceis.
  • Dor ou aperto no peito (angina) durante esforços.
  • Tontura ou desmaio (síncope) ao fazer esforço, sinal de alerta importante na estenose da válvula aórtica [1, 3].
  • Palpitações (percepção de batimentos acelerados ou irregulares).
  • Inchaço (edema) nos tornozelos, pés e pernas.

Uma válvula com lesão importante pode não dar sintomas durante anos, porque o músculo do coração se adapta aos poucos. Fazer o acompanhamento nos prazos indicados permite intervir no momento planejado, antes que essa sobrecarga deixe sequelas no músculo cardíaco [1, 2, 3].

4. QUAIS SÃO OS TRATAMENTOS PARA VALVULOPATIA?

Os tratamentos para valvulopatia se dividem em quatro estratégias principais: vigilância com exames periódicos, tratamento medicamentoso, reparo da própria válvula (plastia ou valvoplastia) e troca valvar por prótese, decididas conforme a válvula acometida, a causa e a condição clínica de cada paciente [1, 2, 3].

Interior dos ventrículos mostrando as válvulas mitral e tricúspide, cordas tendíneas e músculos papilares
Interior dos ventrículos mostrando os folhetos valvares, as cordas tendíneas e os músculos papilares. Ilustração: Gray's Anatomy (1918), domínio público.

1. Acompanhamento clínico e prevenção

  • Indicado nas lesões leves, nas moderadas e nos casos importantes assintomáticos que ainda não apresentam critérios para intervenção [1, 2, 3].
  • Inclui consultas regulares, repetição do ecocardiograma e atenção especial à saúde dos dentes e gengivas, pois infecções bucais podem facilitar a entrada de bactérias na corrente sanguínea e causar endocardite infecciosa na válvula [1].
  • Em quem teve febre reumática, o cardiologista também orienta sobre a profilaxia para evitar novos surtos inflamatórios [1, 4].

2. Medicamentos

  • Ajudam a controlar a pressão arterial, diminuir a retenção de líquidos (diuréticos), controlar a frequência cardíaca e prevenir coágulos quando há arritmias como a fibrilação atrial [1, 3].
  • Melhoram o bem-estar e estabilizam o paciente, mas não substituem a correção da válvula quando há indicação cirúrgica ou transcateter [1, 3].

3. Plastia valvar (reparo cirúrgico) e valvoplastia por cateter

  • Plastia cirúrgica (reconstrução da própria válvula): é o tratamento preferido na insuficiência mitral degenerativa (como no prolapso) e na maioria das doenças da válvula tricúspide, sempre que a anatomia permitir um reparo durável [1, 2, 3]. O cirurgião preserva a válvula natural, reconstruindo folhetos, cordas tendíneas e o anel de sustentação.
  • Valvoplastia por balão ou reparo transcateter: na estenose mitral reumática com folhetos ainda móveis e pouca calcificação, a abertura da válvula por um balão levado por cateter (valvoplastia mitral percutânea) pode ser indicada [1, 4]. Em pacientes selecionados de alto risco cirúrgico com insuficiência mitral, técnicas de reparo transcateter borda a borda (Mitraclip® ou Pascal®) também são avaliadas pelo Heart Team (a equipe integrada por cardiologista clínico, cirurgião cardiovascular, ecocardiografista e hemodinamicista) [1, 2, 3].

4. Troca de válvula cardíaca (substituição por prótese)

  • Quando a válvula está muito calcificada, retraída ou destruída por infecção e não permite reparo seguro, ela é substituída por uma prótese mecânica ou biológica [1, 2, 3].
  • Na estenose aórtica importante, a substituição da válvula pode ser feita por cirurgia ou por implante transcateter de válvula aórtica (TAVI), escolhido em conjunto pelo Heart Team de acordo com a idade, a anatomia e o risco cirúrgico de cada pessoa [1, 2, 3].
Deslize para o lado para ver a tabela completa
Caminho de tratamento O que faz Quando costuma ser indicado Corrige o defeito físico da válvula?
Acompanhamento clínico Vigia a válvula e o músculo cardíaco com consultas e ecocardiogramas Valvulopatias leves, moderadas ou graves ainda sem critérios de intervenção Não (monitora a evolução)
Medicamentos Aliviam falta de ar e inchaço, controlam pressão e arritmias Controle de sintomas, preparo para o procedimento ou tratamento de doenças associadas Não
Plastia / reparo valvar Conserta e preserva a própria válvula do paciente (ou abre por balão em casos selecionados) Insuficiência mitral degenerativa, válvula tricúspide, casos selecionados de válvula aórtica ou estenose mitral favorável Sim, preservando a válvula nativa
Troca de válvula (cirúrgica ou transcateter) Substitui a válvula doente por uma prótese biológica ou mecânica Válvulas muito calcificadas ou deformadas em que o reparo não é viável ou seguro Sim, substituindo por prótese

A escolha entre esses caminhos nunca é padronizada: a indicação depende sempre de avaliação individual.

5. COMO É A CIRURGIA DE VÁLVULA CARDÍACA: CONVENCIONAL OU MINIMAMENTE INVASIVA?

Hoje, muitas cirurgias de reparo ou troca das válvulas mitral, aórtica e tricúspide podem ser realizadas pela cirurgia cardíaca minimamente invasiva (MICS), feita por vídeo ou por pequenas incisões, sem abrir o osso do peito (esterno) por completo, além da técnica convencional por esternotomia [1].

Na abordagem minimamente invasiva por vídeo:

  • O acesso ao coração é feito por uma incisão de cerca de 4 a 5 centímetros entre as costelas (na lateral direita do tórax para a válvula mitral, aórtica e tricúspide). Tal acesso é conhecido como "Miami Method".
  • O cirurgião trabalha com câmeras de alta definição e instrumentos longos desenvolvidos especificamente para essa via.
  • A técnica minimamente invasiva não é igual à convencional: ela depende de material, instrumental e treinamento específicos da equipe, além de um estudo detalhado da anatomia dos vasos antes da operação por meio de angiotomografia com reconstrução em três dimensões (3D).

Na nossa prática na Cardio Assist, em Campo Grande (MS), nossa equipe já realizou mais de 700 cirurgias cardíacas minimamente invasivas, integrando o planejamento 3D ao protocolo ERAS de recuperação acelerada e a cuidados específicos para reduzir a necessidade de transfusão de sangue. Para entender como é o retorno gradual às atividades após operar por essa via, veja também nosso artigo sobre recuperação na cirurgia cardíaca minimamente invasiva.

Quando o paciente precisa tratar várias alterações associadas na mesma cirurgia (como trocar uma válvula e realizar múltiplas pontes de safena e mamária) ou quando a anatomia da aorta e das artérias femorais não permite a canulação segura para o vídeo, a cirurgia convencional pelo esterno continua sendo a opção mais indicada. Se você recebeu recomendação de operar e quer avaliar qual abordagem se aplica ao seu caso, veja nosso guia sobre quando buscar uma segunda opinião antes da cirurgia cardíaca.

6. TROCA DE VÁLVULA CARDÍACA: PRÓTESE MECÂNICA OU BIOLÓGICA?

Quando a válvula precisa ser substituída, a escolha é entre a prótese mecânica, construída em carbono pirolítico de longa durabilidade e que exige uso diário e definitivo de anticoagulante (varfarina), e a prótese biológica, feita de tecido animal tratado (pericárdio bovino ou válvula suína), que em geral dispensa anticoagulação contínua pela prótese, mas pode apresentar desgaste estrutural com o passar dos anos [1, 2, 3].

As diretrizes brasileiras, europeias e americanas orientam que essa decisão seja compartilhada entre a equipe médica, o paciente e a família, levando em conta [1, 2, 3, 5]:

  • A idade e a posição da válvula: como referência geral das diretrizes internacionais, a prótese mecânica costuma ser considerada em pacientes abaixo de 60 anos na posição aórtica e abaixo de 65 anos na posição mitral, enquanto a prótese biológica costuma ser preferida acima dos 65 a 70 anos [2, 3, 5].
  • A possibilidade de usar anticoagulante com segurança: quem tem contraindicação à anticoagulação, dificuldade de controlar o exame de coagulação (INR) ou mulheres que planejam engravidar costumam ter preferência pela prótese biológica [1, 2, 3].
  • O risco de uma nova intervenção no futuro: em pacientes mais jovens, a prótese biológica tende a se desgastar mais cedo do que nos idosos, o que entra na conversa antes da cirurgia [2, 3, 5].

Para ver a tabela comparativa detalhada entre prótese mecânica e biológica na válvula mitral, consulte a seção dedicada no nosso guia da válvula mitral.

Se você recebeu o diagnóstico de valvulopatia ou indicação de cirurgia em uma válvula do coração e deseja entender as opções de tratamento para o seu caso, agende uma consulta com os cirurgiões da Cardio Assist: Dr. Cláudio Albernaz César, Dr. Evandro Carlos Ribeiro Lopes ou Dr. Ismael Escobar Capriata, para uma avaliação individualizada.

7. PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE VALVULOPATIA (FAQ)

Q: Problema na válvula do coração tem cura?

A: O tratamento resolve problemas diferentes conforme o estágio: nas alterações leves, na maioria das vezes basta acompanhar com ecocardiograma; nos quadros importantes, o reparo (plastia) ou a troca da válvula corrige o defeito físico que sobrecarregava o coração. Os medicamentos aliviam os sintomas, mas não desfazem a alteração mecânica da válvula. Mesmo depois de operar, o paciente mantém acompanhamento cardiológico regular, e a indicação depende de avaliação individual.

Q: Quando um problema na válvula do coração é considerado grave?

A: A gravidade é definida pelo ecocardiograma (que classifica a estenose ou a insuficiência em leve, moderada ou importante/grave) somado à avaliação clínica. O quadro pede maior atenção quando a lesão é importante e surgem sintomas — como falta de ar, cansaço aos esforços, dor no peito ou desmaio — ou quando o exame mostra dilatação das câmaras cardíacas, queda na força de contração (fração de ejeção) ou aumento da pressão pulmonar [1, 2, 3].

Q: Valvulopatia e valvopatia são a mesma coisa?

A: Sim. "Valvopatia" é a forma usada nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, derivada de "valva" (termo da nomenclatura anatômica) [1]. "Valvulopatia", derivada de "válvula", é muito usada no dia a dia e nos buscadores. Ambas se referem às doenças das válvulas do coração.

Q: O que é a válvula mitral e qual a diferença para a válvula aórtica?

A: As duas ficam do lado esquerdo do coração, mas em posições diferentes. A válvula mitral fica na entrada do ventrículo esquerdo (recebendo o sangue que vem do átrio esquerdo e dos pulmões), enquanto a válvula aórtica fica na saída do ventrículo esquerdo (por onde o sangue segue para a artéria aorta e para todo o corpo).

Q: Sempre é preciso trocar a válvula ou dá para consertar a própria válvula?

A: Nem sempre é preciso trocar. Quando os folhetos não estão muito calcificados ou retraídos — especialmente na insuficiência degenerativa da válvula mitral e nas alterações da tricúspide —, a plastia (reparo da própria válvula) costuma ser a primeira escolha por preservar o tecido natural do coração [2, 3]. Quando o reparo não é viável ou seguro, realiza-se a troca por prótese. A definição depende de avaliação individual.

Q: Como é feita a cirurgia de troca de válvula do coração?

A: Sob anestesia geral e com o auxílio da circulação extracorpórea, o cirurgião retira a válvula doente e implanta uma prótese biológica ou mecânica no seu lugar. Esse procedimento pode ser feito pela via convencional (pelo esterno) ou, quando a anatomia permite, por cirurgia cardíaca minimamente invasiva por vídeo, através de um pequeno corte de cerca de 4 a 5 cm entre as costelas. Na estenose aórtica em casos selecionados, a substituição também pode ser feita por cateter (TAVI) [1, 2, 3].

Q: Sopro no coração quer dizer que tenho doença grave na válvula?

A: Não necessariamente. O sopro é apenas o som da passagem do sangue percebido pelo médico com o estetoscópio. Ele pode aparecer em refluxos mínimos sem gravidade ou em corações normais, mas também pode ser o primeiro sinal de uma estenose ou insuficiência importante. O exame que esclarece a causa e o grau do sopro é o ecocardiograma [1, 3].

Q: Quanto tempo dura uma cirurgia de válvula cardíaca ou de ponte de safena?

A: O tempo varia conforme a complexidade de cada caso e a anatomia do paciente. Tanto uma cirurgia de válvula cardíaca (plastia ou troca) quanto uma cirurgia de revascularização do miocárdio (ponte de safena e mamária) costumam durar, em média, de três a cinco horas no centro cirúrgico, contando o preparo anestésico.

Q: Quem teve febre reumática na infância pode ter valvulopatia anos depois?

A: Sim. A febre reumática pode deixar cicatrizes nos folhetos das válvulas (sobretudo na mitral e na aórtica) que progridem lentamente e só começam a causar sintomas décadas mais tarde, na vida adulta [1, 4]. Por isso, quem tem histórico de febre reumática deve manter acompanhamento cardiológico periódico.

Q: Depois de operar a válvula do coração, ainda preciso acompanhar com o cardiologista?

A: Sim. Tanto quem fez plastia (reparo) quanto quem recebeu uma prótese biológica ou mecânica continua fazendo consultas e ecocardiogramas periódicos, além dos cuidados com a saúde bucal para prevenção de endocardite e, no caso das próteses mecânicas, do controle regular do anticoagulante [1, 2, 3].

8. REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  1. Tarasoutchi F, Montera MW, Ramos AIO, Sampaio RO, Rosa VEE, Accorsi TAD, et al. Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2020;115(4):720-775. Disponível em: https://doi.org/10.36660/abc.20201047
  2. Vahanian A, Beyersdorf F, Praz F, Milojevic M, Baldus S, Bauersachs J, et al. 2021 ESC/EACTS Guidelines for the management of valvular heart disease. European Heart Journal. 2022;43(7):561-632. Disponível em: https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehab395
  3. Otto CM, Nishimura RA, Bonow RO, Carabello BA, Erwin JP 3rd, Gentile F, et al. 2020 ACC/AHA Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease. Circulation. 2021;143(5):e72-e227. Disponível em: https://doi.org/10.1161/CIR.0000000000000923
  4. Kumar RK, Antunes MJ, Beaton A, Mirabel M, Nkomo VT, Okello E, et al. Contemporary Diagnosis and Management of Rheumatic Heart Disease: Implications for Closing the Gap: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation. 2020;142(20):e337-e357. Disponível em: https://doi.org/10.1161/CIR.0000000000000921
  5. Leviner DB, Witberg G, Sharoni E, et al. Biological or mechanical mitral valve replacement in patients 50–70 years of age: a propensity-adjusted analysis. European Journal of Cardio-Thoracic Surgery. 2022;62(2):ezac073. Disponível em: https://doi.org/10.1093/ejcts/ezac073
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